Deus Ex: Mankind Divided é um RPG de ação e furtividade desenvolvido pela Eidos-Montréal e lançado em 2016. A história se passa dois anos depois do Aug Incident, crise que encerrou o entusiasmo público pelas augmentações, os implantes mecânicos incorporados ao corpo. Adam Jensen atua num mundo que passou a perseguir quem carrega essas modificações, enquanto investiga uma conspiração por meio de combate, infiltração, hackeamento e conversas.

A campanha continua os acontecimentos de Deus Ex: Human Revolution, mas não exige que toda missão siga o mesmo caminho, pois uma porta vigiada pode levar o jogador a procurar um terminal, um duto, uma entrada vertical ou uma solução social, e as augmentações escolhidas para Jensen determinam quais dessas oportunidades ficam ao alcance dele.

Depois do Aug Incident

Adam Jensen em Deus Ex: Mankind Divided
Jensen vive entre os augmentados segregados.

A história começa em 2029, dois anos depois do Aug Incident que encerrou a fase de entusiasmo público com as augmentações. O episódio marcou o mundo de tal forma que pessoas mecanicamente augmentadas passaram a ser tratadas como párias e separadas do restante da sociedade.

Adam Jensen agora trabalha como agente de contraterrorismo e procura organizações que manipulam essa divisão nos bastidores. A posição dele é desconfortável porque o investigador também é augmentado. Controles de circulação, desconfiança e insultos dirigidos a esse grupo aparecem durante o deslocamento, não apenas nas conversas sobre a crise.

Perseguição e segregação afetam quem pode passar e como Jensen é recebido, mantendo o conflito presente antes que a investigação revele quem manipula os dois lados.

Praga concentra a investigação

Adam Jensen durante uma missão em Praga
Praga reúne ruas e rotas alternativas.

Praga reúne áreas em vários níveis, interiores visitáveis e tarefas que recompensam a observação vertical. Dubai e a fictícia Golem City ampliam o percurso, enquanto as ruas e edifícios de Praga aproximam investigação, deslocamento e missões paralelas num mesmo espaço urbano.

A verticalidade não existe somente para esconder itens. A equipe projetou alguns prédios com entradas ao redor de toda a estrutura. Salto, visão ampliada, força, invisibilidade e hackeamento podem então mudar o ponto de acesso antes mesmo de Jensen encontrar um guarda.

Essa organização torna a observação parte do preparo: câmeras, terminais, paredes frágeis e rotas acima do chão revelam riscos diferentes. O jogador pode alterar acessórios e tipos de munição durante a ação, porém uma ferramenta bem escolhida não substitui a leitura do espaço em que será usada.

Quatro caminhos para uma missão

Cena de infiltração em Deus Ex: Mankind Divided
Quatro abordagens mudam a rota.

Combate, furtividade, hackeamento e abordagem social permanecem disponíveis para cumprir objetivos, embora nem toda situação ofereça as quatro opções com o mesmo peso. Jensen recebe novas augmentações, e investir nelas define se o personagem atravessa uma defesa, manipula um dispositivo à distância, encontra outra entrada ou negocia informação.

AbordagemO que ela procura resolver
CombateEnfrenta a segurança com armas e cobertura.
FurtividadeEvita a linha de visão e busca acessos discretos.
HackeamentoO hackeamento remoto manipula terminais, câmeras e outros dispositivos.
SocialUsa informação e diálogo para mudar uma conversa.

As missões secundárias seguem a mesma lógica de escolha e não foram planejadas como tarefas genéricas repetidas. Elas apresentam personagens, histórias e decisões próprias. Algumas podem ser concluídas rapidamente, mas se ampliam quando o jogador procura outras pessoas e examina o ambiente antes de agir.

Esse desenho também impede que uma configuração seja definitiva. Armas aceitam ajustes durante a ação, o hackeamento remoto interfere em aparelhos sem exigir contato direto e o New Game Plus permite revisitar os espaços com as augmentações mantidas, tornando visíveis rotas que poderiam passar despercebidas na primeira campanha.

Breach fica fora da campanha principal

Ambiente virtual do modo Breach
O modo mantém progressão própria.

Breach é um modo separado em que os chamados Rippers invadem servidores corporativos por dentro de uma representação virtual. Furtividade, tiro, hackeamento e augmentações reaparecem numa estrutura mais curta e orientada a desafios, mas os bônus obtidos ali não podem ser transferidos para Adam Jensen na campanha principal.

As duas partes ainda compartilham alguns vínculos narrativos: empresas invadidas em Breach são mencionadas na campanha, e consequências dessas ações podem aparecer em noticiários encontrados por Jensen. Mesmo assim, a separação de progressão evita apresentar o modo como uma etapa necessária da investigação principal.

Apartamentos guardam outras histórias

A equipe retomou a narrativa ambiental de Deus Ex: Human Revolution ao preencher apartamentos com e-mails, objetos e marcas de quem viveu ali; mesmo sem relação direta com o objetivo, esses elementos formam pequenas histórias que explicam o mundo sem obrigar um personagem a interromper a missão para narrá-las.

Segundo a diretora narrativa Mary DeMarle, algumas missões secundárias podem ser resolvidas em poucos minutos. A exploração revela novas pessoas e outras camadas do mesmo caso, alterando a compreensão do que parecia ser uma tarefa breve. Essa diferença depende do tempo dedicado a observar e conversar, e não de uma exigência para coletar todo documento espalhado pelo cenário.

Mankind Divided combina essa curiosidade com sistemas que aceitam recuo e mudança de plano. Praga oferece o espaço recorrente, as augmentações abrem entradas e as histórias menores dão motivo para olhar além do marcador, fazendo com que a investigação seja construída tanto pela decisão tomada quanto pelo caminho usado para chegar até ela.