Kaze and the Wild Masks foi o primeiro jogo da PixelHive, estúdio brasileiro de Porto Alegre que já trabalhava havia cerca de cinco anos no projeto quando detalhou sua origem, em 2020. A aventura de plataforma chegou ao PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e Google Stadia no ano seguinte com uma proposta bem definida: recuperar o ritmo dos jogos dos anos 1990 sem reproduzir as limitações técnicas daquela época.

Kaze corre, salta, gira para atacar e usa as orelhas para planar, porém a campanha não depende apenas desse conjunto básico. Em fases determinadas, as Wild Masks transformam a protagonista e mudam completamente o movimento, enquanto cristais, letras e passagens escondidas criam objetivos para quem deseja explorar além da saída. A PixelHive também retirou a contagem de vidas, evitando que uma sequência de erros apague o avanço por etapas anteriores.

A maldição das Crystal Islands

Kaze e Hogo observam um anel brilhante nas Crystal Islands
Kaze e Hogo encontram o anel nas Crystal Islands.

A jornada começa nas Crystal Islands, onde Kaze procura salvar seu amigo Hogo depois que uma maldição atinge o arquipélago. A história usa esse resgate como motivo para atravessar ambientes tomados por vegetais enfurecidos, enquanto a origem da ameaça permanece como um mistério nos primeiros trechos.

O anel encontrado pelos dois aparece na apresentação da premissa e coloca a transformação do arquipélago em movimento. A partir daí, o avanço ocorre por fases laterais com passagens opcionais e confrontos próprios de cada região, enquanto cenas e pergaminhos desbloqueados registram a história do objeto e outros segredos das ilhas.

As quatro Wild Masks

Kaze usa a Wild Mask do tigre numa fase com neve e rochas
A forma do tigre avança entre obstáculos.

As Wild Masks não funcionam como equipamentos escolhidos livremente num menu. Cada uma surge em trechos construídos para sua forma animal, de modo que a própria fase ensina a nova ação e logo passa a combiná-la com inimigos, paredes, água ou sequências de velocidade.

Wild MaskMovimento documentadoComo a fase muda
TigreAvança com um bote.Troca saltos comuns por investidas rápidas entre alvos e plataformas.
ÁguiaVoa pelo cenário.Leva os obstáculos para rotas aéreas e exige controle de altura.
LagartoCorre em alta velocidade.Transforma o percurso numa sequência contínua de reação e desvio.
TubarãoMove-se livremente na água.Abre trajetos subaquáticos com aceleração, curvas e ataques próprios.

Essas transformações são temporárias e preservam a identidade de plataforma da campanha, pois cada poder reorganiza o mesmo princípio de ler o terreno e responder no tempo certo. Quando a máscara termina, corrida, salto, giro e planeio com as orelhas voltam a conduzir o avanço de Kaze.

Cristais, letras e fases bônus

Fase dividida entre a superfície e um trecho subaquático com a forma de tubarão
A forma de tubarão percorre a parte submersa da fase.

A campanha reúne mais de 30 fases principais e mais de 50 estágios bônus. Nos percursos regulares, os cristais ficam distribuídos pelo caminho, as quatro letras de K-A-Z-E ocupam posições específicas e entradas ocultas levam a desafios separados, criando diferentes medidas de conclusão para uma mesma etapa.

Encontrar a saída continua sendo suficiente para avançar, portanto a coleta não obriga todo jogador a repetir cada salto. Quem procura completar os conjuntos, por outro lado, precisa observar desvios e dominar o movimento usado naquele cenário; como não existe uma reserva de vidas, a tentativa recomeça sem transformar um erro isolado na perda de várias fases.

A PixelHive desenhou as fases para permitir tanto um ritmo casual quanto tentativas rápidas de speedrunners. Quem segue devagar pode procurar segredos e reconhecer os obstáculos, enquanto o domínio do impulso, do planeio e do posicionamento abre uma travessia contínua para quem pretende reduzir o tempo.

Pixel art quadro a quadro

Personagens e inimigos foram animados em pixel art quadro a quadro, escolha que mostra a passagem entre corrida, salto, giro e transformação com mais detalhes do que os limites de resolução da era de 16 bits permitiam. Os cenários mantêm a construção lateral dos clássicos, mas usam camadas de fundo, efeitos e uma área de tela pensada para plataformas atuais.

Kaze corre por uma floresta azul com plataformas e vegetação em pixel art
A floresta combina plataformas e animação em pixel art.

O desenho também comunica o próximo movimento: as orelhas se abrem durante o planeio, o corpo do tigre se projeta no bote e a forma de tubarão inclina conforme muda de direção. Em vez de funcionar apenas como acabamento nostálgico, cada sequência visual acompanha uma ação que o jogador precisa reconhecer enquanto atravessa o obstáculo.

De Project Bunny a Kaze

O projeto começou com o nome Project Bunny e seria inicialmente um jogo para dispositivos móveis. O protótipo trazia um coelho cinza do sexo masculino, mas a equipe abandonou essa direção, refez a protagonista como a lebre Kaze e transferiu o desenvolvimento para computadores e consoles, mudança que retirou várias limitações previstas para a produção móvel.

“Nostalgia, respeito, admiração e homenagem são as palavras que definem por que queríamos fazer este jogo.”

PixelHive, em entrevista publicada pela SOEDESCO sobre a origem do projeto, em tradução livre.

A mudança não apagou a referência aos anos 1990, embora tenha evitado copiar um único jogo como molde. A equipe combinou lembranças de diferentes plataformas e refez boa parte do visual depois de ouvir outros desenvolvedores, trabalho que transformou o protótipo móvel no primeiro título comercial da PixelHive.

A música e o lançamento

Paulo Bohrer, cofundador da PixelHive, compôs a trilha e cuidou do design de som. Em vez de limitar as faixas ao timbre de chips antigos, ele gravou instrumentos reais e aproximou parte das músicas do pop e do rock; a área de lava recebeu elementos brasileiros, detalhe que liga a identidade sonora do jogo ao lugar onde ele foi produzido sem alterar o cenário fantástico das Crystal Islands.

Trailer oficial de lançamento de Kaze and the Wild Masks
O trailer oficial apresenta fases, máscaras e chefes.

O trailer oficial da SOEDESCO reúne em movimento as máscaras e as fases apresentadas na chegada de Kaze and the Wild Masks ao mercado internacional.

A edição digital chegou em 26 de março de 2021, enquanto as cópias físicas para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One foram lançadas em 25 de maio. Foi assim que o protótipo pensado para celulares se tornou o primeiro jogo da PixelHive disponível também em computadores e consoles.