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Twitch: Motivos por trás do declínio de uma das maiores plataformas do mundo

Lucas Morais, Jean Felipe em 26/maio/24, atualizado 26/maio/24 às 02h – Compartilhe
Garoto jogando. Imagem de acervo exclusivo do Eu, Brasileiro (Jean Felipe).
Garoto jogando. Imagem de acervo exclusivo do Eu, Brasileiro (Jean Felipe).

Chamar o crescimento da Twitch durante a pandemia de um simples benefício seria minimizar a situação. Segundo um relatório de 2021, o número de horas assistidas no site aumentou 45% de 2020 para 2021. Naquele momento, a plataforma parecia simplesmente imbatível, destinada a figurar definitivamente como uma das maiores no ramo do entretenimento no mundo. No entanto, a situação mudou bastante nos anos que se seguiram.

A empresa passou por várias mudanças de CEO, viu a saída de muitos de seus principais criadores, encerrou suas atividades na Coreia do Sul e enfrentou duas rodadas de demissões, resultando no corte de mais de um terço de sua equipe.

Mas o que de fato está causando esse “caos” gradativo em uma das maiores plataformas de entretenimento do mundo?

Boicote de streamers, queda de audiência e demissões em massa

Para entender onde as coisas deram errado, precisamos rever como era o cenário da internet em 2020 e 2021. A pandemia da Covid-19 tornou-se uma questão global, levando milhões de pessoas ao confinamento. Com mais tempo em casa, as pessoas passaram a consumir mais conteúdos via internet. Dessa maneira a produção voltada para games logo se expandiu.

A Twitch, comprada anteriormente pela Amazon há pouco mais de 6 anos, se levantou como uma das plataformas mais acompanhadas no mundo. Essa ascensão meteórica da Twitch fez muito bem para vários produtores de conteúdo e, ao menos nesse momento, o número de canais e transmissões aumentou fortemente.

Pessoa usando o computador. Acervo do Unsplash (Creative Commons).

Porém, quando houve a reabertura da economia global, ocorreu uma redução no número de pessoas que acessam ou se inscrevem na plataforma. Esse número começou a levar a empresa a tomar algumas decisões que contribuíram bastante com sua queda. A audiência começou a despencar e isso forçou políticas de cortes de gastos. Em 2023, a empresa tomou a decisão de despedir 35% da sua força de trabalho, o que se traduz em cerca de 500 funcionários.

Como se não bastasse, a Twitch sofreu um severo boicote de vários produtores de conteúdo. Dentro de um cenário de queda de audiência, esse fato fez com que ainda mais pessoas abandonassem de vez a plataforma e passassem a acompanhar outros sites, como Youtube e TikTok, que tiveram crescimento considerável entre 2022 e 2024, após a pandemia.

Esse boicote, que ganhou a hashtag #ADayOffTwitch, ocorreu devido a várias questões, incluindo preocupações com políticas de moderação de conteúdo, transparência nas práticas de monetização e condições de trabalho para os criadores de conteúdo que, por exemplo, se queixavam do exagero de horas que eram obrigados a transmitir na plataforma para receber o que achavam ser considerável, da empresa.

Havia, também, a pauta da erradicação das chamadas “Raids de ódio”, que é o ato de criadores de conteúdo extremistas transferirem seus espectadores para transmissões de outras pessoas com o intuito de provocá-las ou ofendê-las. Esses problemas levaram alguns streamers influentes a suspender temporariamente suas atividades na plataforma como forma de protesto.

Mulher jogando no computador. Acervo do PxHere (Creative Commons)
Mulher jogando no computador. Acervo do PxHere (Creative Commons).

Os usuários também passaram a reclamar da experiência que a Twitch proporcionava. A quantidade excessiva de anúncios para os visitantes era o principal tema das reclamações. Além disso, alguns usuários também relataram dificuldade em acessar as lives através do app e do site em vários momentos entre 2021 e 2023.

O anúncio de mudanças

Recentemente, foi lançado um comunicado pela Twitch sobre mudanças significativas que prometem aumentar o ganho dos streamers. A expansão do programa “Partner Plus” é um dos pontos centrais dessas mudanças. O programa, criado em 2023, tem como objetivo dar mais solidez para a carreira dos produtores de conteúdo na plataforma. Tal expansão busca alcançar um público mais amplo, oferecendo aos produtores de conteúdo benefícios, como a divisão de lucros secundários de 70/30 (70% para o streamer e 30% para a plataforma).

Outro anúncio visa especificamente os streamers que geram receita superior a US$ 100 mil (aproximadamente R$ 500 mil). Atualmente, esses criadores recebem apenas 50% dessa receita na plataforma. Agora, essa porcentagem aumentará para 70%, seguindo o modelo 70/30 já mencionado, o que resultará em um significativo aumento na receita para esses produtores de conteúdo.

Apesar das mudanças programadas, as projeções de receita ainda não são otimistas. Essas projeções desfavoráveis são atribuídas à preocupação com a grande queda de audiência nos últimos tempos e aos altos custos operacionais associados à manutenção de uma plataforma que suporta 1,8 bilhão de horas de conteúdo de vídeo ao vivo por mês.

A Twitch tem buscado maneiras de rentabilizar sua audiência, ajustando os modelos de monetização de conteúdo e pagamentos aos criadores. No entanto, a crescente concorrência de novas plataformas, como a Kick, que está oferecendo contratos milionários para os principais streamers da Twitch, também tem impactado na estratégia.

Em momentos decisivos sobre o futuro da plataforma, espera-se que a Amazon consiga reverter a situação, trazendo estratégias para a Twitch que ajudem a elevar a confiança de usuários em seus serviços novamente, reforçando todo o potencial que a marca tem. Não só isso, é preciso inovar e acompanhar o mercado conforme novas necessidades surgem.

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