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Brasil e os riscos da sobretaxação de produtos e importações

Lucas Morais, Jean Felipe em 4/jun/24, atualizado 4/jun/24 às 10h – Compartilhe
Entregador levando encomenda para uma casa. Acervo exclusivo do Eu, Brasileiro.
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Recentemente, o governo brasileiro anunciou mudanças na taxação de importações. Anteriormente, compras internacionais de até 50 dólares eram isentas de impostos de importação quando realizadas por pessoas físicas. No entanto, essa isenção foi revogada, e a Câmara dos Deputados aprovou uma nova taxa de 20% para essas compras, como parte do esforço para aumentar a arrecadação e fechar brechas utilizadas por empresas para evitar a tributação. Essa medida ainda precisa ser aprovada pelo Senado para entrar em vigor.

A taxação de produtos e importações é essencial para governos, arrecadando fundos para serviços públicos. No entanto, a sobretaxação também pode causar problemas econômicos, criando ineficiências em vez de benefícios.

Tal tributação excessiva afeta a população de várias maneiras, especialmente quando olhamos para duas principais categorias de impostos: diretos (sobre a renda e o patrimônio) e indiretos (sobre a compra de produtos). Mas quais impactos essa sobretaxação pode causar?

Alguns riscos da sobretaxação de produtos

Distorções de preços: Sobretaxar produtos pode aumentar seus preços para o consumidor, reduzindo a demanda. Isso torna produtos substitutos mais atraentes e muda a alocação de recursos, nem sempre refletindo as reais preferências dos consumidores.

Redução da produção e do consumo: A sobretaxação eleva os custos de produção, diminuindo a quantidade produzida. Consumidores, por sua vez, compram menos devido ao aumento de preços, resultando em queda na demanda.

Impacto sobre o bem-estar social: A ineficiência econômica da sobretaxação reduz a produção e o consumo de produtos essenciais, limitando o acesso a bens e serviços importantes. Isso gera insatisfação entre os consumidores e também pode frear o desenvolvimento econômico.

No Brasil, a tributação de produtos é justa para a população?

A eficácia e a justiça do sistema tributário brasileiro são frequentemente questionadas há anos, especialmente pelos impostos indiretos que impactam mais os pobres. Uma nova reforma tributária está em progresso, mas problemas antigos parecem persistir: o modelo de tributação desigual que cobra menos dos ricos e mais dos pobres.

A taxação excessiva de produtos, tema deste artigo, não é progressiva, mas uniforme. Isso significa que, independentemente da renda, os mais pobres gastam uma parcela maior de sua renda com esses impostos, se comparado aos mais ricos.

Em países economicamente mais desenvolvidos, a tributação sobre o consumo é menor. Na OCDE, a média de impostos indiretos é de 15-20% da receita tributária, enquanto no Brasil é mais de 40%, um “pequeno grande” absurdo.

Para resolver esses problemas, é necessário considerar uma reforma tributária que equilibre a carga tributária entre diferentes segmentos da população e do mercado. Por exemplo, diminuir os impostos sobre o consumo de produtos e serviços, aliviando a carga sobre os indivíduos de menor renda. Isso ajudaria a reduzir a desigualdade e promover o crescimento econômico ao aumentar o poder de compra dos consumidores.

Em redes sociais, é comum encontrar debates em que compensar a redução de impostos sobre consumo com um aumento nas alíquotas sobre renda e patrimônio, especialmente para os mais ricos, é vista como uma solução, mas também é importante lembrar que sem uma fiscalização efetiva para evitar fraudes e evasão fiscal, tudo pode se desmoronar e o “certo” fica só no papel.

Ajustar a taxação sobre importações para proteger a indústria local, sem prejudicar o consumidor final, é essencial para um equilíbrio entre economia interna e competição saudável. O impacto real das taxações, no entanto, só será evidente com o tempo.

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