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Crise Argentina nos últimos anos fez seu uso de criptomoedas disparar

Lucas Morais em 4/maio/24, atualizado 4/maio/24 às 03h – Compartilhe
Argentinos se manifestando com o uso de sua bandeira. Acervo do PxHere.
Argentinos se manifestando com o uso de sua bandeira. Acervo do PxHere.

As criptomoedas existem há pouco menos de 2 décadas e seu uso tem sido matéria de estudos e pesquisas no ramo econômico, sobretudo nessa última década. O fato de se tratar de um ativo digital e seu uso não ser controlado por nenhum banco central, fez com que muitas pessoas levantassem desconfiança quanto ao uso das criptomoedas.

Apesar da desconfiança inicial, algumas pessoas passaram com o tempo a enxergar nesses ativos uma maneira de escapar das incertezas políticas de países que não conseguem se manter eficientes em relação às políticas econômicas. A Argentina foi um desses países. Mergulhada em problemas e crises na economia, o país viu sua moeda se desvalorizar de forma brutal nos últimos anos.

A crise econômica na Argentina atingiu nos últimos anos um ponto crítico em sua história. Nossos vizinhos enfrentaram uma situação desafiadora devido à desvalorização do peso e ao aumento da inflação. Todos esses problemas levaram as pessoas a ter uma certa “descrença” no sistema financeiro e político do país: E a saída encontrada por algumas dessas pessoas foi adquirir criptomoedas.

Milhões usando criptomoedas no país?

Embora seja desafiador medir com precisão esse fenômeno, dado que envolve atividades não regulamentadas e descentralizadas, e, portanto, não há uma entidade centralizada para coletar dados, existem sinais claros de que muitos argentinos estão adotando as criptomoedas. Um indicativo inicial evidente é que em grandes em cidades, como Buenos Aires, as pessoas estão cada vez mais dispostas e receptivas a se submeterem a processos de troca de determinados serviços por criptomoedas, conforme relatado pela Globo.

De acordo com o jornal, há relatos de que argentinos foram vistos fazendo filas para escanear sua íris em trocas com criptomoedas usando de um serviço avançado relacionado à moeda digital.

Além disso, no ano de 2023, o país alcançou a 15ª posição no Índice Global de Adoção de Criptomoedas, elaborado pela empresa americana Chainalysis, a qual analisa a indústria com base no volume de transações reportado por diferentes provedores de serviços. O índice mostrou que a Argentina se destacou como o segundo maior mercado da América Latina, logo após o Brasil, que tem quase 5x mais habitantes ao todo.

Bitcoin. Acervo do Pexels (Creative Commons)
Bitcoin. Acervo do Pexels.

Mais ainda, de acordo com a plataforma de compra e venda de moedas virtuais Lemon, aproximadamente 4 em cada 10 pessoas que baixaram pelo menos um aplicativo de criptomoedas na América Latina em 2023, era argentino. Essa empresa argentina, juntamente com a Binance, líder mundial em plataformas de moedas digitais, domina o mercado local. Há uma estimativa de que cerca de 3 milhões de pessoas utilizem plataformas de criptomoedas no país. Isso equivaleria a colocar os investimentos em criptoativos em um patamar quase igual ao do mercado de capitais convencionais.

Combate à lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo

Um outro indicativo do aumento da popularidade das criptomoedas na Argentina foi a inauguração, no final de março, do Registro de Provedores de Serviços de Ativos Virtuais, instituído pela Comissão Nacional de Valores (CNV). A criação do registro foi promulgada por legislação, em conformidade com as diretrizes do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), visando combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

O propósito do registro é identificar os provedores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Todos eles agora possuem a responsabilidade legal de reportar à Unidade de Informação Financeira (UIF) sobre transações consideradas suspeitas, numa tentativa de diminuir a quantidade de fraudes envolvendo ativos digitais.

O estabelecimento do registro tem como objetivo impedir que a Argentina seja incluída na “lista cinza” de países com alto risco de lavagem de dinheiro, o que poderia dificultar as chances do país de renegociar seu financiamento externo.

Apesar da crise dos últimos anos, o peso argentino apresenta ligeira melhora

Mesmo com a desvalorização de sua moeda sofrida nos últimos anos, a Argentina espera que os resultados futuros sejam melhores. Isso se deve aos últimos resultados que o peso argentino apresentou. Nos últimos três meses, a moeda do país registrou um expressivo aumento de 25% em relação ao dólar no mercado paralelo, consolidando-se como a moeda com o melhor desempenho entre as 148 monitoradas pela agência Bloomberg.

A agência americana atribui a recuperação do peso, que começa a mostrar sinais concretos de estabilização, aos esforços do presidente Milei, que assumiu o cargo há apenas quatro meses, visando a redução do gasto público e o controle da inflação na Argentina.

A valorização do peso sob Milei, apesar de positiva, levanta incertezas, pois seus cortes nos gastos também mergulharam a economia em uma recessão. Analistas advertem que, à medida que o desemprego aumenta, a pressão política para que Milei amenize os cortes de gastos também aumentará. Além disso, o presidente teve que recorrer a medidas provisórias para reduzir o orçamento devido à resistência enfrentada pelo seu pacote de reformas no Congresso. Isso evidencia um escasso respaldo político ao seu plano econômico.

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