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Uma vida dedicada à seleção: A trajetória de Zagallo pelo futebol brasileiro

Lucas Morais, Jean Felipe em 11/abr/24, atualizado 5/maio/24 às 00h – Compartilhe
Zagallo em 1974. Acervo do Wikimedia Commons.
Zagallo em 1974. Acervo do Wikimedia Commons.

Mario Jorge Lobo Zagallo nos deixou recentemente. Dono de uma personalidade inconfundível, o Velho Lobo, como alguns chamavam, tem lugar cativo nos corações de praticamente todos que amam o futebol. Sua história está escrita de forma indelével no futebol brasileiro: Uma carreira marcada por vitórias importantes e um amor pela Seleção Brasileira que poucos compartilham. Zagallo foi, sem dúvida, um gigante da nossa história.

O primeiro contato com a Seleção Brasileira e os primeiros títulos

Zagallo veio ao mundo em Atalaia (AL), mas mudou-se para o Rio de Janeiro aos oito meses de idade. Foi na Tijuca que ele começou uma carreira que seria repleta de vitórias, tanto dentro como fora do campo. Segundo Zagallo, sua proximidade com a camisa amarela teve um início durante o Maracanazzo. Aos 18 anos, prestou serviço militar e, no dia da final da Copa do Mundo de 1950, encontrava-se encarregado da segurança do Estádio durante o jogo entre Brasil e Uruguai.

Pouco tempo depois, o Velho Lobo iniciou sua trajetória como jovem na base, percorreu as fileiras do América e do Flamengo, onde deu os primeiros passos como jogador profissional atuando como ponta-esquerda. Pelo Rubro-Negro, conquistou o título carioca por três vezes consecutivas, sendo de 1953 a 1955.

Em 1958, Zagallo chegou ao ápice da sua carreira como jogador na Seleção Brasileira vencendo o primeiro mundial da história dela. Zagallo foi o ponta esquerda mais importante daquela Copa do Mundo, jogando todos os jogos e não sendo substituído uma única vez sequer. Em 1962, ele conquistou o bicampeonato ao lado de Garrincha.

Carreira vencedora como técnico

Uma vida dedicada à seleção: A trajetória de Zagallo pelo futebol brasileiro
Zagallo e Rivelino em 1973. Domínio Público.

Após a Copa do Mundo de 1962, Zagallo teve uma passagem marcante pelo Botafogo, sendo bicampeão carioca com a camisa do Glorioso. Após os títulos, ele se aposentou e se tornou técnico do Botafogo. Com os resultados alcançados na posição de treinador, ele se tornou um nome forte cotado para comandar o escrete canarinho na Copa de 1970.

Zagallo, então, foi chamado de fato para o cargo de treinador da Seleção Brasileira pouco tempo antes da Copa do Mundo. O elenco montado por ele, que contava com Pelé, Jairzinho, Gérson e companhia limitada, que foi comumente considerado como um dos melhores times da história do futebol mundial por analistas e torcedores. O Brasil venceu o tricampeonato e Zagallo se tornou a primeira personalidade do futebol a ter sido campeão do mundo como jogador e técnico.

Ele repetiu o feito na Copa do Mundo de 1994, dessa vez como coordenador técnico. No total, na Seleção Brasileira Zagallo participou de 36 jogos como jogador, 131 como treinador e 96 como coordenador. Ao longo de sua carreira, acumulou 17 títulos, estabelecendo-se como o treinador que mais dirigiu a equipe nacional até o momento da edição desta matéria e se aposentando como coordenador auxiliar em 2006, ali, certamente mais abatido pela sua idade, que era em torno de 64 anos, e complicações consequentes.

Até hoje, ele também é a única pessoa a estar presente em quatro conquistas de Copas do Mundo.

Títulos de Zagallo na Seleção Brasileira em lista

  • Títulos como jogador: Copa do Mundo (1958, 1962); Taça Bernardo O’Higgins (1959, 1961); Taça do Atlântico (1960); Copa Roca (1963); Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961, 1962);
  • Títulos sendo treinador: Copa do Mundo (1970); Copa Roca (1971); Taça Independência (1972); Copa Stanley Rous/Umbro (1995); Pré-Olímpico (1996); Copa América (1997); Copa das Confederações da Fifa (1997);
  • Títulos como coordenador técnico: Copa Amizade (1992), Copa do Mundo (1994), Copa América (2004), Copa das Confederações (2005) e Carlsberg Cup (2005).

“Vocês vão ter que me engolir”

Essa talvez seja a frase mais famosa de Zagallo, no entanto, poucas pessoas lembram exatamente o contexto em que ela foi dita. O Velho Lobo, em 1997, era tido como ultrapassado por parte da imprensa, sofria críticas por não ter entendimentos maiores acerca das transformações que o futebol moderno estava passando. Com isso, a campanha na Copa América de 1997 foi marcada por incertezas em relação aos métodos de Zagallo. Parte dos torcedores e analistas faziam pressão para que a CBF trocasse o comando técnico do Brasil para a Copa do Mundo de 1998.

Mesmo dentro de todo esse cenário extracampo de incertezas, o Brasil de Zagallo mostrou mais uma vez que era uma seleção forte e que o Velho Lobo ainda não estava ultrapassado. A Seleção Brasileira venceu a Copa América e Zagallo não poupou palavras aos seus críticos: Já quase vencido pela exaustão do jogo, ele reuniu suas forças e disse para as câmeras a célebre frase “Vocês vão ter que me engolir”. E os críticos realmente tiveram que engolir, pois Zagallo permaneceu como técnico em 1998, quando foi vice-campeão do mundo na França.

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